VOLVO XC90 T6, DE SETE LUGARES, É LANÇADO NO BRASIL

 

Quando o grupo Jaguar-Land Rover foi adquirido pela Tata, em março de 2008, muitos narizes se torceram – fora a ironia da inversão de valores entre (ex) colônia e império, a grande pergunta era se os indianos seriam capazes de perpetuar os valores de marcas tão sofisticadas. O Evoque e o F-Type endireitaram os narizes: Land Rover e Jaguar voltaram a ser ingleses como nunca foram nos anos de gestão Ford. Os indianos podiam não saber criar carros, mas souberam extrair o melhor dos próprios britânicos.

 

A Volvo possui passado similar – e mais do que isso, quer contar história de renascimento parecida. Em agosto de 2010, o Zhejiang Geely Holding Group adquiriu da Ford a marca sueca. A partir daquele momento começou o processo de independência da herança do oval azul, de forma mais lenta que no grupo Jaguar-Land Rover, é verdade. Mas as coisas aconteceram. No ano passado nasceu o primeiro fruto: a família de motores modulares Drive-E, extremamente eficazes, leves e com múltiplas configurações possíveis – turbo, turbo com compressor mecânico, turbo com compressor mecânico e motor elétrico.

 

E em agosto do ano passado, foi revelado no museu de arte Artipelag, em Estocolmo, o veículo que marca o renascimento e o reencontro da Volvo às origens suecas. A nova geração do XC90 traz tudo novo: esqueleto, pele e músculos, apresentando o norte que a marca irá assumir para seus lançamentos futuros. Hora de saborearmos a novidade!

 

Nova plataforma e conceito de design, powertrain modular

 

Modularidade é a palavra que define o presente e o futuro da indústria automotiva. Em vez de incontáveis gamas de plataformas e motores dentro de uma marca, parte-se para uma construção mais sofisticada e cara, mas que compensa pelo ganho em escala: plataformas e motores que, partindo de uma mesma base, permitem variações de configurações construtivas em uma amplitude jamais vista.

 

 

A novíssima plataforma SPA (Scalable Product Architecture) da Volvo segue o mesmo modelo teórico da MQB, do grupo VW, ao manter apenas uma medida fixa: a distância entre os pedais e o eixo dianteiro. Balanços frontal e traseiro, entre-eixos, posicionamento e altura de colunas, linha do teto, quantidade de fileiras de bancos, tudo pode variar. Uma sofisticação interessante e que merece destaque é o sistema de suspensão dianteira, em duplo A, como na nova geração do Mercedes-Benz Classe C. Esta configuração apresenta melhor estabilidade de geometria e maior ajustabilidade que o tradicional McPherson. O sistema traseiro é multibraços, com a curiosidade de adotar um feixe de molas transversal como elemento elástico (apenas no modelo Momentum – a Inscription traz sistema a ar), exatamente como no Chevrolet Corvette.

 

A SPA será a nova base de quase todos os veículos da Volvo, especialmente as novas gerações do SUV XC60, da perua V60 e do sedã S60. Os compactos utilizarão uma plataforma exclusiva, a CMA (Compact Modular Architecture), o que abre muitas possibilidades: fala-se na transformação do hatch V40 para uma perua compacta, o que abriria espaço para um sucessor do C30 ou talvez até mesmo um sedã compacto – segmentos atualmente inexplorados pela Volvo.

 

 

O monobloco do XC90 traz as últimas tendências construtivas, misturando aços comuns, de alta e de altíssima resistência formado a quente (aço ao boro, em vermelho – compõe 40% da estrutura), com variação de espessura nas chapas, perfil em ômega, tudo para combinar extrema rigidez à torção, capacidade de deformação em locais estratégicos para absorção de energia em impactos e baixo peso – pois os aços de alta resistência podem assumir perfis mais finos mantendo a rigidez exigida no projeto.

 

O conceito de motores modulares Drive-E foi lançado no ano passado (confira nossa avaliação do Volvo S60 T5 Drive-E) e foi o primeiro passo da Volvo rumo à independência da Ford – antes, a marca usava o 2.0 Ecoboost. A família Drive-E compartilha entre diversas versões de potências diferentes (T4 turbo, T5 turbo, T6 dualcharger, T8 dualcharger híbrido) o mesmo bloco de quatro cilindros em linha, virabrequim, cárter, bomba de óleo e agregados (como o compressor do ar-condicionado), e já vem pronta para trabalhar com sistemas híbridos, como na configuração T8 de 400 cv – que deverá chegar ao Brasil em futuro próximo.

 

 

Com 320 cv a 5.700 rpm e 40,8 mkgf de torque entre 2.200 e 4.500 rpm, o 2.0 Drive-E T6 é bastante sofisticado, começando pela exótica configuração dualcharger, cuja sobrealimentação se dá pelo compressor mecânico Eaton combinado ao turbo BorgWarner – leia mais sobre a história e o conceito do dualcharger nesta matéria. O compressor atua da marcha lenta até 3.500 rpm, quando a ECU o desacopla de sua polia via embreagem eletromagnética para que ele não cause perdas mecânicas ao conjunto, quando o ar comprimido do turbo – com pressão máxima de 1,59 bar – já se torna a única fonte de sobrealimentação. Entre os outros caprichos do motor temos injeção direta, função Start-Stop, cabeçote e bloco de alumínio com camisas de ferro fundido com tratamento especial para redução de atrito, carcaça da turbina integrada ao coletor de escape, comandos de válvulas variáveis com bronzinas de diâmetro reduzido e bomba d’água elétrica com funcionamento sob demanda.

A transmissão do XC90 é chamada de Geartronic, automática de oito marchas Aisin Warner TG-81SC, com sistema de tração nas quatro rodas do tipo Haldex: em condições normais a tração é de 95% para as rodas dianteiras, podendo enviar até 50% do torque para as rodas traseiras via acoplamento eletro-hidráulico.

 

Com plataforma e powertrain exclusivos, sem mais derivados de outras marcas, era de se esperar que os suecos buscassem embalar este pacote com novos ares na identidade. E a nova assinatura de design da Volvo ficou nada menos que matadora, cruzando elementos conceituais com traços históricos. Clique e amplie a foto abaixo.

 

Há muito das raízes da clássica perua Volvo 850 em elementos como a grade, a linha de cintura retilínea e sólida e a ampla área envidraçada, contrabalanceada pelo design conceitual dos faróis e pela agressividade das tomadas de ar e vincos fortes no capô, linha de cintura, base das portas e contorno dos para-lamas. A sensação de solidez e equilíbrio é reforçada pela mesma razão de proporção entre os para-lamas (dianteiro e traseiro) e as portas.

Os faróis, 100% em LEDs, apresentam uma assinatura central que a Volvo chama de Mjölnir, ou “martelo de Thor”. Apesar da referência meio piegas, o desenho ficou inegavelmente marcante – você verá de muito longe que é um veículo da marca.

 

 

A traseira não é tão impactante quanto a dianteira, mas mantém o cruzamento de escolas históricas: as lanternas verticalizadas avançando na larga coluna C combinam os traços retilíneos da antiga perua 850 com a silhueta envolvente da V60. Deste ângulo também podemos ver a linha de cintura larga e detalhes como as ponteiras de escape e o spoiler integrados à carroceria, que amarram bem o pacote.

 

Opiniões de design sempre são pessoais, mas ficamos com a impressão de que o resultado final da XC90 ficou elegante e atemporal. As linhas possuem caráter forte, mas fugiram de dramaticidades que possam vir a envelhecer mal.

Preços, equipamentos e cores

O Volvo XC90 chega em duas versões, ambas bastante completas de equipamentos e com o mesmo powertrain Drive-E de 320 cv, câmbio automático de oito marchas e tração nas quatro rodas.

 

 

Volvo XC90 T6 Momentum (R$ 319.000): teto solar panorâmico elétrico, faróis em LED com função anti-ofuscante, autodirecionais e lavadores, rodas aro 19″ com pneus Pirelli Scorpion Verde 235/55 R19, ar-condicionado digital de quatro zonas com filtro de carbono, ar-condicionado exclusivo para terceira fileira, cluster de instrumentos em TFT com tela de 12,3″, bancos e portas revestidas em couro, bancos dianteiros com aquecimento e regulagens elétricas, sistema multimídia com tela touchscreen LCD de 9″ e navegador Sensus, sistema de áudio com 10 alto-falantes e 330 watts, assento para criança integrado ao banco traseiro, cortina para-sol nas portas traseiras, volante multifuncional revestido de couro, alerta de colisão frontal, sistema City Safety, sistema de proteção para saídas em estrada, assistência de frenagem de emergência, controle de estabilidade e de tração, controle anti-capotamento, sistema ISOFIX, sistema de leitura de placas, câmera traseira de estacionamento, assistente de partida em aclive e declive, controle de velocidade de cruzeiro adaptativo com assistente de congestionamentos, sensor de estacionamento dianteiro e traseiro, sensor de chuva, assistente de estacionamento para vagas paralelas e perpendiculares, Volvo on Call, barras de alumínio no teto com base preta, espelhos retrovisores com desembaçador.

 

Volvo XC90 T6 Inscription (R$ 363.000): adiciona sistema de suspensão a ar com carga e altura variáveis, rodas de liga leve aro 20″ com pneus Michelin Latitude Sport 3 275/45 R20, sistema de áudio Bowers & Wilkins com 19 alto-falantes e 1.400 watts, suportes laterais de ajustes elétricos e sistema de ventilação nos bancos dianteiros, encostos de cabeça elétricos para a 2a fileira de bancos, alerta de colisão traseira, alerta de tráfego lateral em ponto cego, chave revestida de couro, câmera frontal de estacionamento (permite visão aérea 360 graus), sistema Head Up Display, jogo de carpetes de luxo, pacote de luzes de ambientação no interior, rack de alumínio integrados ao teto, friso cromado na base das portas, grade dianteira cromada e acabamento cromado no para-choque traseiro, soleira de porta em alumínio com iluminação, ponteiras de escape integradas ao para-choque

Cores disponíveis: confira na tabela abaixo. Para o interior há três cores de revestimento: preto, caramelo e creme.

 

 

 

Maremoto de segurança

 

 

O XC90 é o primeiro veículo a oficializar a estratégia Volvo Vision 2020, um comprometimento de que, a partir de 2020, nenhum ocupante dentro de um automóvel da marca deverá sofrer uma fatalidade ou ficar seriamente ferido. De fato o XC90 traz uma montanha ímpar de recursos passivos e ativos de segurança, levando a tradição da marca a um novo degrau. Veja alguns dos principais:

Controle anti-capotamento: quando os acelerômetros e sensores do veículo detectam um cenário de possível tombamento ou capotamento, a ECU restringe o torque do motor e aciona os freios em uma ou mais rodas, buscando conter a tendência. No caso do acidente ser inevitável, os air bags de cortina são acionados e permanecem inflados por mais tempo, prevenindo ferimentos na cabeça durante as rolagens.

Proteção para saídas de estrada: quando os acelerômetros, sensores e radares do XC90 detectam este cenário, motores nos cintos apertam os ocupantes contra os bancos. Os assentos apresentam um sistema de amortecimentos verticais para absorver impactos secos de saltos e capotagens, prevenindo ferimentos na coluna cervical.

City Safety com frenagens emergenciais automáticas: se os radares do XC90 detectarem o cruzamento ou parada repentina de um veículo, pedestre, ciclista, seja de dia ou de noite, o veículo freia automaticamente para prevenir o acidente. O motorista pode regular o raio de distância para atuação do sistema.

Controle de cruzeiro adaptativo com assistente de condução: piloto automático com radar que mantém distância mínima (configurável) para o veículo da frente. O sistema também funciona em congestionamentos, parando e acelerando o Volvo sem a necessidade de ação do motorista. A novidade é que o XC90 também acompanha o fluxo do trânsito, esterçando o veículo automaticamente (um sensor requer que o motorista apenas mantenha as mãos em contato com a direção).

Alerta de mudança de faixa: os radares das laterais fazem a leitura das faixas de rolamento. Há três opções configuráveis: esterçamento sutil para mantê-lo na faixa, aviso sonoro e vibração de aviso no volante.

Aviso de colisão traseira (apenas Inscription): o radar traseiro, ao detectar a aproximação veloz de um carro em sua direção, faz acionar automaticamente o pisca-alerta do XC90, além de tensionar os cintos de segurança, pressionando os ocupantes contra o encosto, reduzindo as chances de fraturas cervicais. Os freios também são operados automaticamente no caso de um impacto.

 

 

Escritório de luxo

 

 

Seguramente esta é uma das cabines que melhor combina materiais frios e quentes – alumínio, couro e camurça – que vimos nos últimos tempos. Da mesma forma que a carroceria, o design é conceitual, mas ao mesmo tempo é clássico – não apela para o excesso de arrojo, permanecendo com silhuetas essenciais bem limpas e arejadas.

A quantidade de texturas e variações de acabamentos é enorme, mas ao mesmo tempo, a apresentação é sucinta e discreta: você percebe os detalhes aos poucos, conforme direciona o seu olhar para cada elemento do interior. Deguste (e amplie) as fotos abaixo. E note como os dias do console central com mais de 30 teclas se foram, felizmente.

  

 

Os botões de partida (que funciona girando para os lados) e de seleção do modo de condução (Comfort, Eco, Dynamic, Off-Road e o customizável Individual) merecem destaque pela criatividade e sofisticação no design. Um detalhe interessante é o espelho retrovisor central sem bordas.

 

Os bancos são de cair o queixo. Design refinado, couro de altíssima qualidade, aquecimento e ventilação fortes (esta última, apenas na Inscription) e uma montanha de ajustes elétricos. Fora os ajustes mais comuns, é possível regular a altura e pressão do apoio lombar, o aperto dos apoios laterais e o comprimento do assento pela extensão que aparece em detalhe na foto acima. Há também massageador. Com um banco assim, fica fácil de encontrar uma baita posição de direção, mas estranhamos o fato de a regulagem da coluna de direção ser manual – um sistema elétrico é obrigatório em um veículo de luxo desta etiqueta.

A bandeirinha da Suécia, também presente na traseira do veículo, dá um toque bacana e é um pequeno lembrete desta nova fase da marca, em que ela volta para as suas raízes.

 

A tela touchscreen de 9″ do sistema multimídia Sensus Connect apresenta ótima integração ao painel e assume a identidade de iPad ao se apresentar na vertical, com direito ao botão “home” na base. Mais do que isso, o hardware, bastante veloz e fluido, já está pronto para receber o Apple Carplay como atualização, que deverá chegar no fim deste ano. Sua usabilidade já está bastante alinhada com aparelhos móveis: você dá zoom no mapa puxando com o indicador e o polegar ou dando dois toques na tela, ou navega pelos menus fazendo varreduras laterais com os dedos, por exemplo. O Sensus Connect traz uma série de aplicativos de entretenimento, como rádios mundiais via streaming, metereologia e envio de dados do veículo para o celular, o que inclui o Volvo on Call.

 

 

Os controles de ar-condicionado e aquecimento do banco ficam sempre à mostra na base da tela, independentemente do menu em que você está. Dois destaques: o menu de configuração do veículo, no qual você pode ativar e regular todas as assistências do XC90, além de escolher entre quatro temas para o cluster de instrumentos – que ainda variam internamente de acordo com o modo de condução escolhido (veja fotos abaixo) –, e o sistema de áudio de 1.400 watts (amplificador Harman) e 19 alto-falantes da Bowers & Wilkins (Inscription), com sistema noise cancelling, sete tweeters de alumínio Nautilus, sete midranges de Kevlar, quatro woofers e um subwoofer, estes últimos integrados às cavidades do monobloco do veículo.

Em seu menu você pode escolher entre diversas ambiências de palco (incluindo a acústica da sala de concerto Gothenburg Concert Hall, da cidade-natal da Volvo) e fazer ajustes finos no equalizador gráfico de dez bandas. Em nossa opinião, a fidelidade e a ambientação sonora deste Volvo, cristalino e com muito corpo, mas quase livre de reverberações de ondas estacionárias (ou seja, dá pra conversar mesmo com o som alto), só é superada pela série Autobiography do Range Rover.

 

 

Com quase três metros de entre-eixos (2,98 m) e bastante iluminação graças ao teto-solar panorâmico de série, a sensação de amplitude é bem evidente no espaço traseiro. Note como o encosto fica numa posição bem reclinada. A segunda fileira é composta de três bancos individuais (o do meio inclusive tem um assento para criança embutido), de forma que eles podem ser dobrados em múltiplas combinações para o transporte de carga. Os passageiros da segunda fileira contam com um painel exclusivo para controle do ar-condicionado. Note também o posicionamento dos alto-falantes.

 

 

A terceira fileira também apresenta os seus luxos. Os bancos apresentam os mesmos materiais e acabamentos, há um compressor de ar-condicionado exclusivo (acionado por um sensor nos assentos) para evitar desperdício energético e o espaço para as pernas é suficiente para adultos de até 1,70 m. A acessibilidade é razoável, graças aos amplo reclinamento dos bancos individuais da segunda fileira.

 

Com três fileiras, o Volvo XC90 oferece 324 litros de capacidade. Em sua configuração para cinco passageiros, 692 litros. A tampa do porta-malas possui abertura elétrica regulável em altura (uma facilidade para pessoas mais baixas) e pode ser aberta e fechada sem contato. Basta que o motorista, com a chave no bolso, passe seu pé sob a quina traseira esquerda do veículo.

 

 

Como ele anda?

 

No test-drive do XC90, partimos do litoral para a serra: de Florianópolis para a famosa Serra do Rio do Rastro (município de Lauro Müller) via rodovia BR282, com uma breve visita ao mirante da Serra do Corvo Branco, onde foram realizadas as fotos desta matéria. Infelizmente a Serra do Rio do Rastro estava chuvosa e com visibilidade abaixo dos 30 metros devido à neblina, impossibilitando qualquer foto segura ou mesmo reconhecível. Dirigi por cerca de 250 km, considerando o caminho de volta e o fato de dividir o veículo com outro jornalista.

 

A experiência começa pelos cartões de visita táteis e visuais que o XC90 oferece: o design externo tem muita presença e o acabamento interno realmente impressiona pela sofisticação e sensação de arejamento. O silêncio que se segue após o fechamento de portas serve como como câmara acústica para o sistema de som B&W. O fator de bem-estar a bordo, sem dúvida, é um dos pontos fortes deste Volvo e, neste sentido, ele está acima de sua categoria.

 

Começamos o nosso roteiro saindo no trânsito urbano de Florianópolis, com o veículo configurado no modo Comfort e com as trocas de marcha automáticas. A projeção HUD no para-brisa, exclusiva da Inscription, é bastante útil ao mostrar informações de velocidade e do GPS, que também aparecem na tela digital de instrumentos de 12,3″. Na cidade, não existe surpresa para a sua categoria: comandos macios sem serem molengas, rodar fluido, bastante confortável e silencioso.

Já a BR-282 é uma rodovia famosa pelas suas sequências de curvas e passagens por serras, e lá pude provocar um pouco mais o XC90. De cara, senti que a programação Comfort deixa o acelerador um pouco anestesiado demais para ultrapassagens em subida de serra, deixando até uma certa impressão de falta de torque. Com isso, parti para a Dynamic, que incorpora um mapeamento mais ardido no acelerador e câmbio, além de aumentar a carga do sistema de direção e da suspensão a ar, que também rebaixa em alguns milímetros.

 

 

Nessa condição sim, a tocada fica mais saborosa. Não no sentido esportivo, até porque este é um veículo de 2.125 kg, mas sim, no ritmo de um estradeiro com certo vigor. Contudo, depois de algum tempo senti que a carga de direção ficou pesada sem necessidade e, por isso, parti para uma configuração personalizada, com todos os parâmetros da Dynamic, mas com direção mais leve. Fica mais adequado para a proposta. O SUV também apresenta um modo off-road para até 50 km/h, que altera o funcionamento dos diferenciais e principalmente dos freios, segurando o veículo em linha reta mesmo em declives cheios de barro.

 

O Volvo XC90 apresenta relação peso-potência de 6,64 kg/cv e 52,08 kg/mkgf, com aceleração de 0 a 100 km/h declarada em 6,5 s e máxima de 230 km/h. São bons números, deixando-o em uma condição confortável em relação ao Dodge Durango (7,69 kg/cv e 62,83 kg/mkgf), mas atrás dos 6,09 kg/cv e 45,2 kg/mkgf do novo Audi Q7 V6 3.0 2016, que chegará ao Brasil no fim deste ano e que deverá brigar com a versão mais forte do XC90, a híbrida T8, tanto em desempenho quanto em preço.

O consumo médio obtido foi de 8,1 km/l, mas é importante frisar que quase todo o trajeto foi de serra e com carga significativa no pedal da direita.

 

Dinamicamente, o XC90 deixa uma mensagem bem clara: é um SUV de luxo. Há bastante aderência lateral, graças aos pneus Michelin Latitude Sport 3 275/45 R20 – largura que o deixa imponente, mas desnecessária para a proposta e o peso/torque do veículo –, mas o entre-eixos de quase três metros (2,98 m), a massa acima de duas toneladas (2.125 kg), a falta de aletas atrás do volante para trocas manuais (que só podem ser feitas na alavanca) e a caixa de direção com feedback limitado não convidam a explorar os seus limites.

 

Até porque essa realmente não é a pegada do XC90 nem de quase nenhum veículo dedicado a sete lugares. Sua proposta é ser um transatlântico de luxo, com capacidade de se deslocar com velocidade e ultrapassar com segurança. A sofisticação levemente esportiva que o Volvo passa talvez crie a expectativa de uma patada um pouco mais bruta, e isso deve ser resolvido com a versão T8, de 400 cv e 56 mkgf (contra os 320 cv e 40,8 mkgf do T6), que chegará no Brasil num futuro não muito distante.

 

O XC90 apenas poderia filtrar melhor vibrações de alta frequência nas superfícies, como pisos feitos de pedras ou ruas muito cheias de remendos. Há bastante conforto, mas esperava que essas vibrações fossem todas contidas pela suspensão a ar, mas parte delas é transmitida para a carroceria. Outro ponto é que, em pisos mais acidentados, há uma ou outra batida abafada, deixando claro que este é um veículo de asfalto, mas com alguma capacidade para trilhas leves.

 

Bottom line

 

Neste exato momento o Volvo XC90 desfruta de um certo isolamento no mercado. Está situado entre o Land Rover Discovery Sport e o Range Rover Sport em termos de valor, mas nenhum deles é um sete lugares dedicado – a versão para sete do Discovery Sport é chamado pela própria marca de 5+2, situação similar à do surpreendentemente dinâmico BMW X5, que oferece a terceira fileira como opção. O Dodge Durango oferece sete bons lugares e custa uma enorme fatia a menos, partindo de R$ 249 mil, mas é bem mais modesto em recursos de segurança, conforto e acabamento.

 

O veículo que deve fazer frente ao XC90 de forma agressiva é o Audi Q7, que chega por aqui no fim deste ano, mas a sua versão de sete lugares certamente estará posicionada na faixa acima dos R$ 400 mil, e portanto deverá concorrer com a XC90 T8, que ainda não está por aqui também.

 

De qualquer forma, o Volvo XC90 deve beliscar uma fatia dos clientes dos SUVs grandes de cinco lugares de luxo, especialmente aqueles menos apegados ao desempenho e dinâmica agressiva. Seus diferenciais de tecnologia, segurança e sofisticação a bordo o colocam como uma referência extremamente séria e devem encantar os compradores que valorizam estes quesitos.

A chegada da plataforma SPA combinada ao powertrain Drive-E e à nova filosofia de design realmente trouxe uma sensação parecida com a que houve com o grupo Jaguar-Land Rover. A gestão da Geely parece ter aproximado a Volvo de suas raízes suecas como nunca, por mais paradoxal que isso soe. Estamos curiosos para ver os desdobramentos futuros, tanto desta plataforma SPA quanto a de compactos CMA.

 

 

Serviço: test-drive & afins

Volvo XC90: home do site oficial brasileiro do XC90, encontre a concessionária mais próxima.

 

Ficha técnica: Volvo XC90 Inscription

Motor: quatro cilindros em linha, transversal, 1.969 cm³, 16V, cabeçote com duplo comando de válvulas variável, injeção direta, compressor mecânico, turbo, gasolina

Potência: 320 cv a 5.700 rpm

Torque: 40,8 mkgf de torque entre 2.200 e 4.500 rpm

Transmissão: automática de oito marchas, tração nas quatro rodas

Suspensão: dianteira do tipo duplo A e traseira do tipo multibraços

Freios: Discos ventilados na frente e atrás

Pneus: Michelin Latitude Sport 3 275/45 R20

Dimensões: 4,95 m de comprimento, 2,00 m de largura, 1,77 m de altura e 2,98 m de entre-eixos

Peso:  2.125 kg

Itens de série: tração nas quatro rodas com cinco programações dinâmicas (Eco, Comfort, Dynamic, Off-Road, Individual), sistema de suspensão a ar com carga e altura variáveis, teto solar panorâmico elétrico, faróis em LED com função anti-ofuscante, autodirecionais e lavadores, rodas de liga leve aro 20″ com pneus Michelin Latitude Sport 3 275/45 R20, ar-condicionado digital de quatro zonas com filtro de carbono, ar-condicionado exclusivo para terceira fileira, cluster de instrumentos em TFT com tela de 12,3″, bancos e portas revestidas em couro, bancos dianteiros com aquecimento, ventilação e regulagens elétricas, sistema multimídia com tela touchscreen LCD de 9″ e navegador Sensus, sistema de áudio Bowers & Wilkins com 19 alto-falantes e 1.400 watts, assento para criança integrado ao banco traseiro, cortina para-sol nas portas traseiras, volante multifuncional revestido de couro, alerta de colisão frontal, sistema City Safety, sistema de proteção para saídas em estrada, assistência de frenagem de emergência, controle de estabilidade e de tração, controle anti-capotamento, sistema ISOFIX, sistema de leitura de placas, alerta de colisão traseira, alerta de tráfego lateral em ponto cego, chave revestida de couro, câmera frontal e traseira de estacionamento mais sensores, sistema Head Up Display, assistente de partida em aclive e declive, controle de velocidade de cruzeiro adaptativo com assistente de congestionamentos, sensor de chuva, assistente de estacionamento para vagas paralelas e perpendiculares, Volvo on Call

 

Preço: R$ 363.000 (setembro de 2015)

 

 

 


Fonte:  Flatout

 

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